Clássicos da Arquitetura

Ginásio de Guarulhos – Vilanova Artigas e Carlos Cascaldi

 

Por Jamile Weizenmann

O edifício é formado por um volume único retangular organizado por uma malha regular cujo módulo é um quadrado de nove metros de lado. Na sua totalidade possui treze módulos no sentido longitudinal e quatro módulos no sentido transversal.

© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: José Moscardi

© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: José Moscardi

 

A planta baixa é setorizada em três faixas longitudinais que definem o zoneamento funcional e cada uma possui uma cota de nível. Na primeira faixa, equivalente a uma linha de módulos, estão as salas de aula orientadas a sudoeste. Nas duas linhas modulares seguintes, à cota de um metro e meio abaixo do nível das salas, dispõe-se o pátio aberto, a quadra esportiva, auditório e outro pátio aberto menor. Na última faixa configuram-se dois pavimentos. A partir do nível da quadra, subindo um metro e trinta centímetros, situam-se o setor administrativo e mais duas salas de aula. E, descendo um metro e cinquenta centímetros estão os sanitários coletivos e a cantina. Este nível inferior permite um dos acessos à edificação, ocupando quatro módulos localizados entre os sanitários.

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Planta Baixa. Image © Jamile Weizenmann

Planta Baixa. Image © Jamile Weizenmann

 

A estrutura da edificação segue o rigor da modulação estabelecida e das faixas organizadoras do programa funcional. O módulo rege a distância entre os pilares no sentido longitudinal, elucidando o programa repetitivo das salas de aula. No sentido transversal, distam exatamente um módulo nas faixas das extremidades e dois módulos na faixa central, gerando quatro linhas de pilares.  A cobertura é uma laje em concreto, tipo caixão perdido. Nas faixas da extremidade o vínculo entre a laje e os pilares funciona como estrutura em pórtico. Já no centro, a grelha nervurada recebe subtrações, que configuram zenitais, permitindo a entrada de iluminação natural sobre a quadra.

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© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: Nelson Kon

© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: Nelson Kon

 

A peculiaridade do desenho dos pilares, cuja seção reduz ao se afastar da cobertura, é coerente com o sistema estrutural de pórtico aliando racionalidade à plasticidade. Na fachada sudoeste, os pilares funcionam como elemento estrutural e brise vertical. A continuidade da laje de cobertura completa a proteção solar mista, formando uma lâmina horizontal sobre os pilares. Na fachada nordeste, em predominância, são utilizados elementos vazados de concreto, cobogós, que reforçam a presença do módulo estrutural a partir do desenho quadricular proposto.

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Corte Esquemático 1. Image © Jamile Weizenmann

Corte Esquemático 1. Image © Jamile Weizenmann
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Corte Esquemático 2. Image © Jamile Weizenmann

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Nas extremidades, os pilares posicionados da edificação não tangenciam as esquadrias. Medem a espessura da parede por um metro e meio de profundidade, sendo perpendiculares à maior dimensão do volume. Atingem dois metros e oitenta de altura. Os pilares são recortados no seu canto inferior externo. À medida de um terço de sua altura total e encontrando o centro da base, origina-se a linha diagonal desta subtração formando um ângulo de quarenta e cinco graus no sentido exterior ao interior da edificação.

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© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: José Moscardi

© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: José Moscardi

 

Os pilares internos, posicionados junto à faixa central têm mesma espessura dos pilares das extremidades. Já a sua face maior define uma forma poligonal irregular cuja menor medida está na altura que coincide com a base dos pilares externos. A partir dessa aresta virtual intermediária, o polígono amplia-se formando ângulos obtusos tanto em direção à laje de cobertura quanto ao piso da quadra. Desse modo, o perímetro da face lateral dos pilares internos é antes a soma de dois polígonos mais simples, unidos por uma aresta comum.

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Via Arquitetura Brutalista (CC BY-NC 3.0)

Via Arquitetura Brutalista (CC BY-NC 3.0)

 

Os ângulos internos das linhas oblíquas externas que ampliam a seção dos pilares internos são idênticos: cento e quinze graus em relação ao eixo horizontal. Já o ângulo da segunda linha oblíqua inferior, que finaliza ao tocar o piso da cantina, é limitado pelo encontro desta diagonal com a projeção de uma linha imaginária no alinhamento da parede do setor administrativo. Nestes pilares, a única linha vertical, que configura uma face, é aquela mais próxima aos pilares externos que, não obstante, é quebrada por uma pequena diagonal que amplia a seção do pilar no encontro com a laje superior.

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Detalhe dos Pilares. Image © Jamile Weizenmann

Detalhe dos Pilares. Image © Jamile Weizenmann

 

A relação entre os dois tipos de pilares encontra-se na diagonal que define o corte inferior dos pilares externos. O mesmo ângulo gera um segmento da diagonal que cria o canto superior externo dos pilares internos adjacente à quadra. Esta adição amplia a seção no pilar no encontro com a laje superior.

Na obra do Ginásio de Guarulhos, a partir de um esquema modular inicial lança-se a estrutura resistente. Esta, ao constituir-se tridimensionalmente, revela na forma expressiva dos seus elementos a linguagem arquitetônica do edifício.

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© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: Nelson Kon

© Acervo Vilanova Artigas. Fotografia: Nelson Kon

 

Jamile Weizenmann é arquiteta e urbanista pela UNISINOS em 2006, mestre e doutoranda pelo PROPAR-UFRGS. É coordenadora do Curso de Arquitetura e Urbanismo e docente da UNIVATES.

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