Contra novos ataques, é preciso discutir bomba atômica no Japão em 1945

10 de Agosto de 2015 – 10h10 

Sedi Hirano, professor emérito da FFLCH-USP, e Artur Theodoro, mestre em psicologia pela USP, analisam aspectos sociais da bomba atômica

Setenta anos após o ataque atômico dos EUA contra as cidades de Hiroshima e Nagasaki, no Japão, ainda é preciso analisar e discutir o assunto para alertar e previnir a sociedade contra a possibilidade de novos disparos nuclerares. Essa é a análise do sociólogo Sedi Hirano, professor emérito da FFLCH-USP (Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da Universidade de São Paulo), e Artur Theodoro, mestre em psicologia pela USP e pesquisador dos reflexos psicossociais dos ataques contra o Japão em 1945.

Assista trechos da entrevistas de Sedi Hirano e Artur Theodoro 

Para Hirano, uma mentalidade bélica e destrutiva do ocidente, somada a preconceitos contra os povos do oriente, resultou em “um ato insano e desumano” em Hiroshima e Nagasaki.  

“Existe uma oposição entre Ocidente, considerado civilizado, e Oriente, tratado como bárbaro e não civilizado. Quem comete esses atos (disparo de armas nucleares e intervenções militares) não está agindo de forma civilizada. Pelo contrário, agem [Ocidente] como missionários de um valor extremamente bélico e destrutivo, sem considerar a vida humana e o convívio entre culturas diferentes. Essa é uma visão que considera as pessoas do oriente como seres inferiores. E se fossem europeus, será que as bombas seriam disparadas?”, questiona.

Já Arthur Theodoro alerta que as condições que levaram aos ataques nucleares em 1945 continuam a existir mesmo após 70 anos. Sem discutir o assunto, afirma o pesquisador, há o temor que um novo disparo de armas de destruição em massa possa acontecer.  

“A abolição das armas nucleares não representaria uma situação de paz, pois infelizmente outras armas de potencial destrutivo foram construídas da partir de 1945. A partir dessa reflexão de que continuamos a produzir armas de destruição em massa desde a invenção da bomba atômica, percebemos que as condições para que existisse Hiroshima e Nagasaki continuam a existir atualmente. Em primeiro lugar, a própria organização da sociedade, de como se dá a relação de poder entre os estados. Em segundo, do ponto de vista econômico, a ideia majoritária capitalista desempenha um papel importante, pois os interesses econômicos acabam levando a reboque decisões políticas”, analisa.

Sedi Hirano e Artur Theodoro analisam aspectos sociais do disparo de bombas atômicas em 1945

Sedi Hirano também contesta as motivações do ataque nuclear dos EUA contra o Japão. Para o sociólogo, a versão de que os norte-americanos dispararam a bomba com o intuito de encerrar a guerra ou para proteger os soldados deve ser questionada.

“O argumento de que as bombas foram lançadas contra civis para poupar vidas americanas é desumano. Em nome de uma certa humanidade do ocidente, você pode dizimar milhares de pessoas no oriente?”, critica.  

A abordagem  da sociedade aos ataques nucleares em 1945 contra o Japão é objeto de preocupação a Theodoro. “É perigoso pensar Hiroshima e Nagasaki pela perspectiva do entretenimento, enfatizando o aspecto espetacular e fantástico do acontecimento. Isso é prejudicial, pois você pode criar uma abordagem de quem vê essa tragédia como quem vê um filme. Estamos acostumados a essa perspectiva da ficção e isso é preocupante, pois nos afasta de de entender a real dimensão da tragédia”, explica.  

FONTE

 

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