Saiba como são as provas de redação da Unesp, Fuvest e Unicamp

Veja como é o formato de texto exigido por cada uma das universidades e o que você deve esperar dos exames

 

 

Em poucos meses, as universidades estaduais de São Paulo realizarão suas segundas fases: Unesp, Unicamp e USP. Se você vai prestar alguma delas (ou todas), provavelmente a redação é uma das suas preocupações nesse momento, tanto porque representa uma parte importante da nota final de cada instituição, quanto porque cada uma tem o seu modo de corrigir e de elaborar temas.

 

 

 

Nessas semanas finais de estudo, o importante é continuar treinando as redações da maneira que você vem fazendo ao longo do ano. De acordo com a professora Andrea Provasi Lanzara, do Cursinho da Poli, não se deve perder o ritmo, mesmo com a proximidade das férias e das comemorações de fim de ano. “É necessário que o estudante escreva um ou dois textos por semana, e que procure formar um grupo de amigos para trocar essas redações entre si”, diz.

Além da preparação para a prova, é preciso saber bem como cada instituição elabora sua proposta de redação. Seguindo a ordem das datas das segundas fases, elaboramos algumas dicas para você entender melhor o formato de cada uma das universidades e o que você deve esperar encontrar no exame. Veja!

 

Atenção: Se você prestou o Enem, está acostumado a treinar a redação escrevendo uma intervenção para o problema exposto no tema, certo? No entanto, essa exigência é apenas do Enem, não sendo obrigatória nas dissertações em geral. Portanto, fica a seu critério elaborar ou não a proposta de intervenção, tanto na Unesp quanto na Fuvest, que exigem o tipo dissertativo.

Unesp

 

A segunda fase da Unesp vai rolar nos dias 18 e 19 de dezembro, e a prova de redação será aplicada no segundo dia. Ela tem valor de 28 pontos dentre os 100 totais dos dois dias de segunda fase.

A instituição exige o tipo dissertativo de texto, mais comum nos vestibulares. Isso significa que se trata de um texto argumentativo, que pede que o autor desenvolva uma ideia, um problema ou um questionamento com uma consideração final que deve estar de acordo com os argumentos expostos. É importante, também, que o estudante saiba colocar ideias favoráveis e contrárias à sua própria opinião.

Confira os critérios de avaliação da prova:

 

 

Abordagem da proposta e do tema: A banca avalia como você leu a proposta e como ela será articulada, no texto, em relação à coletânea de textos. Analisa, também, o seu ponto de vista e a reflexão feita por você ao longo do texto.
Desenvolvimento: Avalia como você construiu sua argumentação ao longo da introdução, do desenvolvimento e na conclusão, e se está de acordo com o tipo dissertativo-argumentativo.
Domínio da escrita: No último ponto, os corretores analisam se você utilizou a norma culta da língua, além dos elementos de coesão.

 

De acordo com a professora Andrea, “a Unesp trabalha com textos mais longos na coletânea, mas fazendo um recorte para o tema, que geralmente é destacado em negrito”. Por isso, antes de iniciar o texto, fique atento à proposta que estará bastante clara e em destaque. Em relação aos temas, ela ressalta que a Unesp costuma pedir temas bem conectados com a atualidade e que não sejam difíceis de explorar, se o aluno tiver um nível razoável de informação.

 

Os cinco últimos temas das provas da Unesp
2016 – Publicação de imagens trágicas: banalização do sofrimento ou forma de sensibilização?
2015 – O legado da escravidão e o preconceito contra negros no Brasil
2014 – Corrupção no Congresso Nacional: reflexo da sociedade brasileira?
2013 – Escrever: o trabalho e a inspiração
2012 – A bajulação: virtude ou defeito?

 

Se você está preocupado em zerar, fique tranquilo. A redação só é anulada em casos muito específicos: fuga do tema, letra ilegível, texto com menos de sete linhas ou identificação da autoria da redação em qualquer ponto da folha.

 

Fuvest

 

A segunda fase da Fuvest vai acontecer entre os dias 8 e 10 de janeiro. A redação, especificamente, será aplicada no primeiro dia, junto à prova de português e inglês, valendo 50 pontos dentre os 100 totais do dia. A Fuvest cobra o mesmo tipo de texto da Unesp: o dissertativo.

Veja os critérios de correção:

 

Tipo de texto e abordagem: A banca examina se o texto atendeu aos padrões de uma dissertação e se está adequado ao tema. Assim como na Unesp, também é avaliado se o texto soube articular o tema à coletânea, e se foi capaz de selecionar os pontos importantes de cada trecho. Também é analisada a abordagem do tema e o potencial crítico dos argumentos.
Estrutura: Avalia a coerência do texto, os parágrafos, os elementos de coesão. A organização dos argumentos e sua disposição no texto também são analisados.
Expressividade: Corrige os aspectos gramaticais, como ortografia, pontuação e demais erros. Além disso, a competência do candidato em defender o ponto de vista e a clareza de suas ideias.

 

 

De acordo com a professora Andrea, a Fuvest valoriza muito o texto bem articulado e o candidato que saiba ir além da coletânea. “O bom texto para a Fuvest é aquele que articula bem os argumentos, que apresenta informatividade, que consegue transcender a proposta e a coletânea e que consegue mostrar princípio de autoria”, diz. Mas o que significa isso? Simples: o candidato deve mostrar que sabe fundamentar sua tese com seu repertório pessoal de informações, ou seja, que consegue sair do senso comum e do que é apresentado nos textos da coletânea, apresentando um conhecimento construído ao longo da vida e em tudo o que absorveu de seus estudos.

 

Se você estiver com dúvidas de como fazer um bom texto seguindo esses parâmetros, a pesquisadora e assessora pedagógica da editora Saraiva, Carolina Assis Dias Vianna recomenda que você dê liberdade ao seu pensamento. “Na hora da prova, reflita: com base nos textos da coletânea e em outros que você já leu sobre o assunto, o que você de fato pensa? Não tente adivinhar o que os corretores querem que você escreva”, diz. Nesse sentido, não tenha medo de defender suas ideias. “Assumir um ponto de vista não significa necessariamente ter de dizer que é bom ou ruim, certo ou errado. Pelo contrário, uma opinião madura considera que nunca uma situação terá uma avaliação única”, ressalta Carolina.

 

Em relação aos temas, a Fuvest é conhecida por pedir temas com um teor mais filosófico e reflexivo. “Isso leva ao erro de pensar que temas filosóficos e subjetivos estão em oposição a temas de atualidades. Mas esse pensamento é equivocado, porque são temas que devem ser trabalhados em relação à sociedade atual”, explica a professora Andrea. No entanto, o tema da redação do vestibular passado foi diferente em relação ao que costuma ser pedido: envelhecimento da população, considerado muito mais “concreto” do que o normal para a Fuvest. A questão, agora, é saber se essa tendência vai se repetir neste ano, inaugurando um novo tipo de redação na prova, ou se a banca voltará aos temas abstratos dos anos anteriores.

 

Os cinco últimos temas das provas da Fuvest
2016 – As utopias: indispensáveis, inúteis ou nocivas?
2015 – “Camarotização” da sociedade brasileira: a segregação das classes sociais e a democracia
2014 – Envelhecimento da população
2013 – Consumismo
2012 – Participação política: indispensável ou superada?
Atenção: A Fuvest costuma exigir que as redações tenham título, o que não é cobrado no Enem, por exemplo. Mas fique atento, porque essa exigência normalmente vem destacada na proposta – se não estiver lá, o título é opcional.

Unicamp

 

A redação da Unicamp funciona de um jeito diferente. No vestibular 2017, ela será aplicada no primeiro dia da segunda fase, que vai acontecer entre os dias 15 e 17 de janeiro. Neste caso, a prova de redação consiste em dois textos de gêneros completamente distintos, que não são divulgados antes. Cada texto vale 24 pontos, totalizando 48. Este ano, a redação também passou a valer mais na Unicamp, em um total de 20% da nota final.

Veja os critérios de correção:

 

Tipo de texto e interlocução: Avalia se o texto corresponde ao gênero pedido, e se os interlocutores (ou seja, a quem você se dirige durante o desenvolvimento do texto) estão sendo considerados.
Propósito: Verifica se a tarefa solicitada na proposta é cumprida e se o tema e as instruções de elaboração do texto são levados em conta.
Leitura: O candidato deve saber estabelecer um contato entre o texto e a coletânea fornecida na prova, através da qual a banca avaliará a leitura e a interpretação de texto do candidato.
Articulação escrita: Os dois textos devem apresentar uma escrita fluida, coerente, e bem fundamentada. O candidato também deve mostrar que sabe adequar a linguagem a cada um dos gêneros solicitados.

 

Para a Unicamp, deve-se desconsiderar quase tudo em relação às provas dos vestibulares que exigem tipo dissertativo, porque a correção passa a levar em conta elementos específicos que compõem cada gênero pedido. Por causa dessa grande variedade de gêneros textuais possíveis, é comum que o estudante fique com medo de não saber desenvolver o texto que for pedido.

“Se o candidato for um bom leitor, ele consegue fazer a prova da Unicamp sem maiores problemas. Saber escrever ou não um texto é fruto de um repertório, não é necessário tentar estudar todos os gêneros possíveis, porque na hora da prova o tipo de texto vai estar muito claro para o estudante”, explica a professora Andrea. Portanto, a preparação para a Unicamp não é muito diferente do que é feito para as outras provas: muita leitura e treino são o suficiente para construir o seu repertório e capacitá-lo para qualquer texto que venha a ser exigido.

Assim como nos gêneros, os temas também podem ser os mais diversos, mas sempre mantendo uma tendência de atualidade. Veja os temas das cinco últimas provas:

 

Os cinco últimos temas das provas da Unicamp
2016Resenha de uma fábula de La Fontaine; artigo de divulgação de um texto científico sobre indução de emoções
2015Carta para convocar pais de alunos a um debate sobre violência nas escolas; síntese sobre recursos tecnológicos para humanizar atendimento na área da saúde
2014Relatório sobre oficina cultural em uma escola; Carta aberta de uma associação, dirigida a autoridades, sobre problemas no trânsito
2013Resumo de um texto sobre pessimismo; carta a redatores de um jornal sobre alcoolismo
2012Comentário de internet sobre a profissão de cientista; manifesto de estudantes de uma escola sobre monitoramento online; verbete explicando o conceito de computação em nuvem

 

Na Unicamp, as redações são anuladas apenas quando ocorre fuga do tema ou fuga do tipo de texto exigido.

Dicas

Independentemente do vestibular que você for prestar e do texto que for fazer, há algumas regras básicas que devem ser consideradas em todas as redações. Veja:

Tome cuidado com radicalismos. A banca quer que a defesa do ponto de vista ocorra com argumentos e posições claras, racionais e, principalmente, respeitosas. Por isso, evite usar qualquer expressão extremista, mesmo que sejam termos como “nunca”, “sempre”, “jamais”.

Evite usar clichês, provérbios e citações sem critério. Você pode acabar errando o autor da expressão (o que pega muito mal), ou até mesmo usá-la fora de contexto, o que pode direcionar a sua redação para um lado que você não quer.

– Rebuscar demais as palavras também não é uma boa ideia. Seu texto pode ficar sem fluência e clareza, dificultando a compreensão do corretor. Lembre-se:linguagem formal não é sinônimo de linguagem complicada.

– O uso da linguagem oral também deve ser bem pensado. Expressões coloquiais e gírias não são adequadas a um texto que exige a norma culta da língua.

Erros de gramática: deslizes graves e recorrentes de regras do português podem descontar muitos pontos da sua redação. Se houver dúvida na hora de usar algum termo, procure trocá-lo por outra palavra mais segura, para não arriscar.

Lembrete: o Novo Acordo Ortográfico só será adotado, obrigatoriamente, a partir de 2016. Por isso, está liberado o uso das regras antigas! No entanto, você deve tomar cuidado: só pode usar um ou outro, ou seja: se você usar as normas antigas, deve usá-las até o final do texto, e vice-versa.

Fonte

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